A Igreja não tem garantias de que ela sempre terá um papa (sem interrupções); mas quando ela possui um, é garantida à ela um que seja Católico.

Saturday, September 2, 2017

Sacramento da Confirmação ministrado por um padre? Sem delegação episcopal?



  De acordo com o que foi relatado, e posteriormente confirmado em vídeo pelo próprio padre acusado de administrar Confirmações à fieis em diferentes partes do Brasil, creio que seria bom deixar um alerta aos tradicionalistas de boa vontade, pois o assunto é grave. 

  Espero que a compilação de textos doutrinais da Igreja Católica, aliado a falta de sequer um fato semelhante em toda a tradição da Igreja, possam alerta-los para as perniciosas consequências da mentalidade "Reconhecer & Resistir", pois ela é a raíz de todas essas atitudes anti-católicas.

"Os pastores devem ensinar, também, quem são os encarregados especiais para administração desse Sacramento; pois de acordo com o Profeta, "Não enviei esses profetas, mas eles foram correndo levar sua mensagem" [Jeremias, xxiii, 21], [por isso] é necessário ensinar quem são os verdadeiros e legítimos ministros, para que os fieis possam ser preparados para receber o Sacramento e graça da Confirmação.
A Sagrada Escritura mostra-nos que somente o Bispo é o ministro ordinário desse Sacramento, pois lemos no Atos dos Apóstolos que quando Samaria recebeu a Palavra de Deus, Pedro e João foram enviados à eles, ao passo que esses rezaram para que eles pudessem receber o Espírito Santo: pois Ele não havia ainda descido sobre eles, eles eram apenas batizados [Atos viii, 14]. Aqui podemos ver que aquele que havia batizado, sendo apenas um diácono, não havia o poder para Confirmar; mas que a administração era reservada para uma mais perfeita ordem de ministros, isto é, os Apóstolos. O mesmo pode ser observado quando quer que a Sagrada Escritura faz menção desse Sacramento. " [1] (*Sublinhados nossos)
  
  Somente em casos extraordinários os padres podem ser delegados a administração do Sacramento da Confirmação, não obstante, tais delegações possuem suas regras e restrições (e.g território, doença dos bispos titulares e auxiliares, etc.), portanto, não é algo que justificaria uma grave desobediência ao ensino Católico sobre um Sacramento que "não é necessário para a salvação e nem existe um grave preceito de sua recepção"[2].

  Reparem, porém, que mesmo em tempos ordinários, aonde haviam bispos --incluso o de Roma-- com autoridade e jurisdição Católica,  os mesmos só eram obrigados a oferecer a Confirmação aos fiéis num espaço que não ultrapassasse mais que 5 anos [3], isso comprova a sua falta de urgência ainda em tempos que haviam autoridades católicas com jurisdição ordinária. E mais, os bispos não eram estritamente obrigados a ministrarem o sacramento mesmo as pessoas que se encontravam em seus leitos de morte e pediam por tal sacramento[4], se isso não prova que o sacramento não é estritamente necessário, o que provaria?

  Isto não quer dizer que não se fazia, ou se deva fazer, todo o esforço possível para que o maior número possível de Católicos recebessem/recebam o Sacramento da Confirmação, não é isso. 
Mas ele há de ser de acordo com as regras e doutrinas da Igreja. 

  E se não há bispos ou padres designados, então não há a Confirmação. Os rebeldes incoformados que vão reclamar com O Próprio Deus!

  Se não existe o preceito que estritamente ordena tal necessidade, como qualquer manual de teologia ensina, por que tentam tirar da cartola uma suposta justificativa baseada no "estado de necessidade"?  

A única coisa que parecem justificar é a necessidade de continuarem com seus atos cismáticos, pois, se esses "bispos locais e o bispo de Roma" são verdadeiramente bispos e papa (como eles pregam), tais atos se caracterizam sim, em cisma. Assim como vários outros praticados pela dita "Resistência", ainda que feitos por ignorância.

Vale lembrar que severas punições são aplicáveis para aqueles que ultrapassam o limite da faculdade e/ou do mandato concedido como indulto para um padre ministrar a Confirmação:

- Confirmação ilícita 

O padre que não houver a faculdade pela lei ou concedida pelo Romano Pontífice, e ousar administrar o sacramento da confirmação, deverá ser suspenso; se ele obtiver faculdade mas ousar exceder seus limites, ele está ipso facto privado dela. [5]


Eis o preço por se "aceitar tudo, menos a vacância".

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[1]Catecismo do Concílio de Trento - Ministro da Confirmação

[2] (Dominic Prümmer, O.P - Teologia Moral cap.iii 580)

[3] e [4] (Dominic Prümmer, O.P - Teologia Moral cap.ii 578)

[5] Teologia Moral, P. Heribert Jone, 1965 com citação do [c.2365]